Lula critica gastos com guerras e cobra urgência global no combate à crise climática durante a COP30

Um chamado em meio à Amazônia

 A Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30) começou nesta segunda-feira (10/11/2025) com um discurso contundente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante de líderes mundiais, Lula criticou os altos gastos com guerras e defendeu que a humanidade precisa redirecionar seus recursos e prioridades para enfrentar a crise climática.

“O mundo gastou 2,7 trilhões de dólares em guerras no último ano. Seria muito mais barato investir 1,3 trilhão em ações climáticas. É mais barato cuidar do clima do que fazer guerra”, afirmou Lula, sob aplausos.

O evento ocorre pela primeira vez na Amazônia, região que o presidente chamou de “símbolo da esperança e do equilíbrio do planeta”, destacando o papel das comunidades locais e povos indígenas na preservação ambiental.


Guerras x Clima: a crítica central

Lula aproveitou o palco da COP30 para denunciar o que chamou de “contradição moral e econômica” da comunidade internacional: o investimento bilionário em conflitos militares, enquanto a Terra enfrenta secas, enchentes e desastres climáticos cada vez mais frequentes.

“A emergência climática é também uma crise de desigualdade. Os países pobres sofrem as consequências de um problema que não criaram”, declarou o presidente.

Ele defendeu que a transição ecológica só será justa se houver financiamento e transferência de tecnologia dos países ricos para as nações em desenvolvimento.


 “A COP da Verdade”

Chamando esta edição de “a COP da Verdade”, Lula alertou que “o tempo dos discursos acabou”. Segundo ele, os efeitos da mudança climática já são visíveis: furacões, queimadas e enchentes atingem regiões inteiras, enquanto a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C ainda parece distante.

“O mundo caminha na direção certa, mas na velocidade errada”, disse Lula.

Ele também propôs a criação de um Conselho Global do Clima vinculado à ONU, com poder para fiscalizar e cobrar o cumprimento das metas ambientais acordadas nas conferências.


Amazônia no centro do debate

A escolha de Belém para sediar a COP30 é simbólica: o evento ocorre “no coração da floresta”, região essencial para o equilíbrio climático global. Lula afirmou que a Amazônia “não é uma abstração, é o lar de milhões de pessoas” e reforçou que o Brasil está comprometido com o desmatamento zero até 2030.

O presidente destacou avanços no combate ao desmatamento e anunciou novos programas de reflorestamento e incentivo à bioeconomia.


Especialistas apontam que o discurso brasileiro eleva o tom político da conferência, mas o grande desafio será transformar promessas em ações concretas. O financiamento climático global ainda é insuficiente, e o Brasil será cobrado por resultados reais na proteção da Amazônia e na transição energética.

Enquanto líderes discutem compromissos, Lula lembrou que a questão climática “é de todos nós”: governos, empresas e cidadãos.

“A escolha é clara: gastar com armas ou investir na vida. O planeta está em contagem regressiva.”

A abertura da COP30 marca um momento histórico: pela primeira vez, a maior conferência climática do mundo acontece em território amazônico. O discurso de Lula ecoa como um apelo urgente à humanidade — menos guerras, mais árvores, mais ação.