Inviabilidade da Obra em Chapada dos Guimarães

O governador Mauro Mendes (União) informou que a obra de recorte do paredão no Portão do Inferno, em Chapada dos Guimarães, pode ser considerada tecnicamente inviável. Essa avaliação se baseia em estudos recentes da Secretaria de Infraestrutura de Mato Grosso (Sinfra) e foi divulgada nesta segunda-feira (24). A reavaliação ocorre quase um ano após o início efetivo das obras, programadas para agosto.

Mendes afirmou que os estudos iniciais revelaram uma grande complexidade para o prosseguimento da obra, mencionando que as sondagens do solo, realizadas do topo da encosta até a base, trouxeram surpresas em relação à estrutura apresentada. Ele explicou que, após o início, a equipe encontrou desafios inesperados que exigiram uma análise técnica mais aprofundada.

O projeto visa mitigar os riscos de deslizamentos na área, tendo um custo estimado de R$ 29 milhões. A proposta inclui o recorte dos paredões rochosos e o redesenho da rodovia MT-251, a ser relocada 10 metros do ponto crítico, uma das áreas mais visitadas do estado. A execução é responsabilidade da empresa Lotufo Engenharia e Construções LTDA.

Embora a obra tenha sido liberada em maio de 2024 com um cronograma de três meses para conclusão, atrasos geraram protestos de vereadores e moradores da região. O local está dentro do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, necessitando de aprovações do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Um dos encaminhamentos sugeridos no passado, com apoio de especialistas e da comunidade, seria a construção de um túnel, solução que poderia evitar deslizamentos e reduzir o impacto visual. Esse plano, no entanto, foi descartado por limitações técnicas e financeiras.

Ao detalhar o processo, Mendes mencionou que a descoberta de dificuldades no solo ocorreu durante a mobilização da equipe, que incluiu guindastes para o acesso ao topo da encosta. O governador concluiu que os laudos mais recentes ainda estão sob análise dos técnicos da Sinfra, que deverão apresentar uma solução até o final de junho. Por fim, Mendes ressaltou que a decisão sobre o futuro da obra será técnica e não política, deixando claro que a escolha não dependerá exclusivamente do governador ou do secretário.