Frigoríficos de Mato Grosso do Sul e Goiás suspenderam temporariamente a produção de carne bovina destinada aos Estados Unidos, em resposta à nova tarifa de 50% imposta pelo ex-presidente Donald Trump sobre as importações brasileiras. A medida, que entra em vigor oficialmente no dia 1º de agosto, provocou um efeito imediato nas cadeias produtivas regionais e acendeu o alerta em todo o setor exportador.
Segundo Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), cerca de 30 mil toneladas de carne bovina já produzidas estão paradas em portos ou em alto-mar, aguardando definições sobre o futuro dos embarques. “É uma situação que exige decisões rápidas, pois o risco de prejuízos logísticos e econômicos é alto”, afirmou.
O impacto é especialmente severo em estados como Mato Grosso do Sul, onde os EUA absorveram 15% das exportações de carne bovina desossada e congelada em 2025 — o equivalente a US$ 142 milhões até junho. Em Goiás, os norte-americanos representam 25% do mercado, ficando atrás apenas da China.
Com a nova barreira tarifária, pelo menos quatro frigoríficos sul-mato-grossenses optaram por interromper temporariamente suas operações. A justificativa: evitar acúmulo de estoques que não poderão ser escoados e que, caso permaneçam no mercado interno, podem gerar queda nos preços e desorganizar a cadeia de distribuição.
Governo busca alternativas na Ásia e Oriente Médio
Diante da crise, os governos estaduais de MS e GO iniciaram articulações emergenciais para redirecionar a produção a novos mercados. Entre as alternativas, estão missões comerciais ao Japão e a intensificação de negociações com países da Ásia e do Oriente Médio, regiões que já possuem relações comerciais com o Brasil e podem absorver parte da carne represada.
Além do impacto direto nos frigoríficos, o episódio escancara a vulnerabilidade da cadeia da carne bovina frente a decisões unilaterais de parceiros estratégicos. Com milhares de empregos em jogo e peso significativo no superávit da balança comercial do agronegócio, o setor exige respostas coordenadas entre governo e indústria para enfrentar os desafios impostos por um cenário global cada vez mais instável.