Falhas recorrentes nos sistemas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) resultaram em prejuízo estimado de R$ 233 milhões, comprometendo a análise de até 1,75 milhão de pedidos de benefícios.
A situação foi relatada em uma nota técnica interna do órgão, que revelou a gravidade das instabilidades.
Nesta segunda-feira, 13, o governo demitiu Gilberto Waller da presidência do INSS, nomeando Ana Cristina Viana Silveira para a função. O relatório destaca que essas instabilidades reduziram significativamente a produtividade das centrais responsáveis pelo processamento das solicitações, com uma perda correspondente a 15,72% da capacidade produtiva, ou cerca de 1,76 milhão de pontos de produtividade.
Em termos práticos, aproximadamente 116 mil requerimentos por mês deixaram de ser analisados. As falhas nos sistemas da Dataprev comprometeram quase três milhões de horas de trabalho, com os períodos mais críticos ocorrendo em julho e novembro de 2025 e em fevereiro de 2026, quando a queda na produção mensal chegou a quase 40%.
O levantamento considerou o período entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026. De acordo com o INSS, o prejuízo de R$ 233,2 milhões corresponde à remuneração de servidores que estavam disponíveis, mas tiveram seu trabalho limitado pelos problemas tecnológicos, representando uma perda significativa de eficiência nos recursos públicos.
A nota técnica recomenda que a Presidência do INSS consulte a Procuradoria Federal para avaliar a responsabilidade da Dataprev, além de sugerir uma revisão nos critérios de fiscalização contratual e um fortalecimento na governança tecnológica.
Por outro lado, a Dataprev contestou o cálculo do prejuízo, afirmando que não teve acesso ao relatório e questionando a metodologia utilizada para estimar o impacto financeiro. A empresa argumenta que não é adequado somar o tempo de indisponibilidade de diferentes serviços, pois os incidentes seriam pontuais e de curta duração. A Dataprev também apontou que registrou uma disponibilidade superior a 96% entre 2024 e 2025, e até março de 2026, o índice mínimo foi de 98,5%, observando que fatores externos, como infraestrutura local e conectividade, podem afetar o desempenho dos sistemas.