– Em uma guinada que pode remodelar o mapa das exportações sul-americanas, os Estados Unidos anunciaram tarifa zero para 80% das exportações argentinas, abrangendo produtos como alimentos, bebidas, autopeças e insumos industriais. A decisão, comemorada pelo presidente Javier Milei como fruto de sua aliança com Donald Trump e de uma política externa liberal, fortalece os laços entre Argentina e EUA.
Ao mesmo tempo, porém, os EUA anunciaram uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras, afetando diretamente setores como carne, aço e soja, pilares do agronegócio e da indústria nacional. A medida foi vista por analistas como uma retaliação à aproximação do Brasil com a China e os BRICS, o que desagradaria alas conservadoras dos Estados Unidos.
Argentina avança, Brasil recua
O novo acordo com a Argentina abre portas para bilhões em exportações isentas de impostos, num momento em que o país busca reestruturar sua economia com foco em abertura e desburocratização. Milei celebrou o feito como “histórico”, dizendo que “quem abre o mercado, colhe prosperidade”.
Enquanto isso, o Brasil vê o movimento como um baque direto na sua balança comercial. Representantes da indústria e do agro já falam em perda imediata de competitividade e temem retrações nas exportações ainda este semestre.
“Enquanto a Argentina avança com tarifa zero, nós enfrentamos barreiras. O impacto será imediato”, afirmou um consultor da FIESP.
Reações e silêncio do Planalto
Até o momento, o governo brasileiro ainda não se posicionou oficialmente. Nos bastidores, cresce a pressão para revisar a política comercial externa e buscar negociações bilaterais mais estratégicas. Parlamentares da bancada do agro já articulam um pedido de audiência com o Itamaraty e o Ministério da Fazenda.
Cenário geopolítico exige ação
O episódio evidencia a urgência de uma diplomacia mais ativa, estratégica e menos ideologizada. Em tempos de realinhamento internacional, alianças comerciais e políticas bem costuradas podem ser a chave para o crescimento — ou o isolamento.