Um levantamento do World Obesity Atlas 2026 revela que 38,4% das crianças e adolescentes brasileiros, entre 5 e 19 anos, estão acima do peso.
Essa taxa é quase o dobro da média global, que é de 20,7% para a mesma faixa etária.
Em números absolutos, isso equivale a aproximadamente 17 milhões de jovens no país com excesso de peso, incluindo cerca de 7,5 milhões diagnosticados com obesidade. O Brasil é um dos países com maior número de casos nessa faixa etária. O aumento do peso entre os jovens se deve, em parte, às mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida.
O excesso de peso em crianças e adolescentes está associado a problemas de saúde que costumavam aparecer apenas na vida adulta. Diabetes, hipertensão e doenças hepáticas estão entre as condições em crescimento. O relatório estima que, em 2025, 1,4 milhão de jovens apresentarão hipertensão relacionada ao sobrepeso e cerca de 4 milhões poderão ter doenças hepáticas associadas à obesidade.
Os hábitos alimentares são um fator chave nesse cenário alarmante. O consumo de produtos ultraprocessados e bebidas açucaradas aumentou, ao passo que apenas 16% dos adolescentes brasileiros realizam os níveis recomendados de atividade física. Esse desvio acentua ainda mais o problema.
Projeções indicam que, caso a tendência continue, mais da metade da população jovem brasileira pode estar acima do peso até 2040, acentuando o risco de doenças crônicas futuras. Especialistas pedem políticas públicas que promovam alimentação saudável e incentivem a atividade física, além de limitar a publicidade de alimentos nocivos direcionada ao público infantil. Fortalecer estratégias de prevenção e acompanhamento de saúde ao longo da vida é crucial para enfrentar essa questão.