Brasil concentra quase 96% dos casos de chikungunya nas Américas

O Brasil registrou quase 96% dos casos confirmados de chikungunya nas Américas em 2023, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Neste período, o país contabilizou 96.159 casos confirmados e 111 mortes, representando cerca de 72% das fatalidades pela doença globalmente. Entre 1º de janeiro e 20 de setembro, a região das Américas reportou um total de 228.591 casos suspeitos, incluindo 100.329 confirmações e 115 mortes.

Globalmente, foram detectados 445.271 casos, tanto suspeitos quanto confirmados, e 155 mortes em 40 países. Esses números incluem casos autóctones e importados, refletindo uma expansão da doença em diversas localidades. A OMS atribui o aumento da chikungunya à disseminação dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, fatores como urbanização desordenada, deficiências nos programas de controle de vetores e mudanças climáticas, além do crescimento da mobilidade humana e do comércio internacional.

O relatório da OMS observa que a distribuição de casos é desigual. Enquanto regiões como as Filipinas tiveram uma redução de 78% nos casos, lugares como a Indonésia registraram um aumento de 158%. Isso indica um ressurgimento em áreas específicas, sem uma tendência global de crescimento.

A província chinesa de Guangdong reportou 16.452 casos autóctones até 27 de setembro, o maior surto documentado na China. O risco é mais elevado em locais com condições adequadas para a reprodução dos mosquitos transmissores e deficiências na vigilância, levando a OMS a recomendar o fortalecimento da vigilância epidemiológica e do controle de vetores.

O vírus chikungunya é transmitido pela picada de fêmeas do gênero Aedes infectadas, manifestando-se com febre alta, manchas vermelhas na pele e dor intensa nas articulações, que pode persistir por longos períodos. Os mais vulneráveis incluem recém-nascidos, idosos e pacientes com doenças preexistentes, que podem necessitar de hospitalização. Não há tratamento antiviral específico, apenas medicamentos para aliviar os sintomas.

Em abril de 2023, o Brasil aprovou a primeira vacina contra a chikungunya, desenvolvida pela farmacêutica austríaca Valneva e fabricada na Alemanha. O imunizante utiliza microrganismos vivos atenuados e já foi comprovado que induz a produção de anticorpos neutralizantes em adultos e adolescentes. A vacina está autorizada para adultos acima de 18 anos, mas ainda não está disponível no mercado.