O Governo Federal decidiu aumentar, a partir de agosto, a mistura de etanol na gasolina de 27% para 30%. Essa medida visa beneficiar principalmente os produtores de Mato Grosso, o maior produtor de etanol de milho do Brasil. A avaliação foi feita pelo economista Vivaldo Lopes.
Conforme o analista, o aumento atende a um pedido antigo do setor agropecuário, que busca incrementar a produção de etanol e, consequentemente, a de milho.
“É um pedido antigo da agro aumentar o percentual do etanol na gasolina, pois isso pode impulsionar a produção de ambos”, disse Lopes.
Mato Grosso, sendo o maior produtor, certamente será o estado mais favorecido. A decisão também responde a uma preocupação com a oferta do produto, que estava perto de um limite. “Com a nova demanda, o cenário deve mudar”, avaliou o economista.
Segundo ele, a maior demanda por milho e etanol pode resultar na queda de preços, garantindo um mercado sólido para os produtores.
Outro ponto destacado por Lopes é a transição energética promovida pelo governo, que visa reduzir a dependência de combustíveis fósseis, que são mais poluentes. “O movimento é claro: sair da dependência do petróleo e aumentar o uso de biocombustíveis”, explicou.
Além disso, o aumento da mistura de etanol também significa menor variação nos preços do petróleo, uma preocupação crescente devido às instabilidades globais. “Com esse aumento, diminui-se a dependência do petróleo em um cenário onde os preços oscilam bastante”, observou Vivaldo.
Embora o economista não acredite que a medida irá reduzir o custo do combustível, ele vê um potencial para estabilização dos preços. “É uma medida que, se não reduzir, ao menos inibe o crescimento dos preços. Acredito que agradará à sociedade, à indústria e ao setor agropecuário”, concluiu.