Após mortes de araras-canindé, AMEA cobra explicações e medidas da Energisa em Sinop

Segundo relatos, algumas araras-canindé teriam sido encontradas sem vida depois de entrarem em contato com cabos energizados ou colidirem com a fiação durante o voo.

A morte recorrente de araras-canindé em um condomínio residencial de alto padrão, em Sinop, no norte de Mato Grosso, levou a Associação Mato-Grossense de Educação Ambiental (AMEA) a divulgar uma nota pública de repúdio sobre o caso.

Conforme a entidade, várias aves da espécie — considerada um dos símbolos naturais do município — vêm sendo encontradas mortas após sofrerem colisões ou choques elétricos na rede de energia instalada na área.

De acordo com a associação, após tomar conhecimento das ocorrências, representantes da AMEA procuraram os responsáveis pelo condomínio para obter informações e confirmaram que os episódios têm se repetido com certa frequência dentro do perímetro do residencial.

Segundo relatos, algumas araras-canindé teriam sido encontradas sem vida depois de entrarem em contato com cabos energizados ou colidirem com a fiação durante o voo.

A entidade ambiental aponta ainda que a situação ocorre mesmo havendo uma ação judicial em andamento contra a concessionária responsável pelo fornecimento de energia na região, a Energisa.

O processo pede a substituição e adequação da estrutura da rede elétrica instalada no local justamente para reduzir os riscos de acidentes envolvendo aves silvestres.

Conforme a AMEA, a Justiça já teria concedido uma decisão liminar determinando que a concessionária realize as adaptações necessárias na rede elétrica. A determinação também prevê aplicação de multa diária em caso de descumprimento.

No entanto, segundo a associação, até o momento as intervenções solicitadas não teriam sido executadas.

Para a entidade, a ausência de adequações na rede elétrica representa não apenas o possível descumprimento de uma decisão judicial, mas também um problema ambiental que continua provocando a morte de animais silvestres.

A AMEA alerta que a repetição desses episódios pode gerar impactos na fauna local e comprometer o equilíbrio da biodiversidade na região.

A arara-canindé é uma das aves mais conhecidas do Centro-Oeste brasileiro e se tornou parte da identidade ambiental de Sinop.

Com sua plumagem azul e amarela e comportamento social marcante, a espécie costuma ser vista sobrevoando áreas urbanas e rurais da cidade, geralmente em pares ou pequenos grupos. A presença frequente dessas aves faz com que sejam consideradas um importante símbolo natural do município.

Diante do cenário, a associação cobra providências da Energisa para que a decisão judicial seja cumprida e para que sejam adotadas medidas técnicas capazes de evitar novas mortes.

Entre as alternativas apontadas por especialistas estão o isolamento de cabos, a instalação de dispositivos de proteção para aves e a adaptação da rede elétrica em áreas onde há maior presença de fauna silvestre.

A AMEA também pede que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e outros órgãos competentes acompanhem o caso e reforcem a fiscalização, buscando responsabilizar eventuais omissões e prevenir novos impactos ambientais.

Fundada em 5 de agosto de 1999, a Associação Mato-Grossense de Educação Ambiental tem sede em Sinop e atua há mais de duas décadas em iniciativas voltadas à educação ambiental, à preservação da biodiversidade e à mobilização social em defesa dos recursos naturais em Mato Grosso.

Ao longo desse período, a entidade desenvolveu projetos educativos, campanhas de conscientização e parcerias com instituições públicas e organizações da sociedade civil para fortalecer políticas de conservação ambiental.

A associação também participou de iniciativas voltadas ao desenvolvimento de tecnologias de monitoramento ambiental, incluindo projetos experimentais para detecção precoce de focos de calor e prevenção de queimadas na região norte do estado.

Pelo trabalho desenvolvido, a AMEA recebeu o título de entidade de utilidade pública municipal, reconhecimento que reforça a importância de sua atuação na defesa do meio ambiente.

No caso das araras-canindé em Sinop, a entidade afirma que continuará acompanhando a situação e cobrando providências das autoridades e da concessionária responsável pelo fornecimento de energia.

A associação também incentiva a população a comunicar situações que representem risco à fauna silvestre, contribuindo para a proteção das espécies que integram a biodiversidade local.

Para a AMEA, preservar as araras-canindé significa proteger um dos principais símbolos naturais de Sinop e garantir que o crescimento urbano do município ocorra de forma equilibrada e em harmonia com o meio ambiente.